Feirantes goianos projetam prejuízo e queda de 80% nas vendas após derrota do Brasil para Noruega
3 minutos de leitura

Feirantes goianos projetam prejuízo e queda de 80% nas vendas após derrota do Brasil para Noruega

A eliminação precoce da seleção brasileira diante da Noruega na Copa do Mundo provocou um impacto imediato no comércio informal de Goiânia: feirantes da Feira Hippie estimam uma queda de até 80% nas vendas de produtos relacionados à seleção, com prejuízos que podem chegar a valores significativos para pequenos empreendedores. Segundo o presidente da associação, Waldivino da Silva, muitos comerciantes fizeram estoques elevados de camisas e artigos da seleção na expectativa de que o Brasil avançasse no torneio, e agora enfrentam dificuldades para honrar pagamentos a fornecedores e recuperar o capital investido.

Waldivino relata que encomendas individuais chegaram a R$ 7 mil, R$ 8 mil e até R$ 10 mil, e que a demanda prevista evaporou com a eliminação. “Alguns itens ainda podem ter saída pontual, como camisas alternativas, mas a tradicional camisa amarela praticamente não vende mais”, afirma. A estratégia de tentar escoar o estoque no interior do estado é apontada como alternativa, mas insuficiente para cobrir os custos: parte da mercadoria deverá ser estocada para a próxima Copa, em 2030, com o risco adicional de que mudanças no uniforme reduzam ainda mais o interesse do público por peças “antigas”.

A perspectiva de prejuízo é agravada pela impossibilidade de devolução dos lotes aos fornecedores, o que obriga os feirantes a recorrerem a liquidações, queimas de estoque ou deslocamento das mercadorias para outras regiões. “O prejuízo é de mais de 70%. O feirante vai ter que aguardar quatro anos para tentar reaver o dinheiro investido”, diz Waldivino, ressaltando que mesmo eventos políticos, como as eleições presidenciais de 2026, podem oferecer apenas alívio pontual e não garantem a recuperação do volume perdido.

A situação expõe a vulnerabilidade econômica de microempreendedores que dependem de grandes eventos esportivos para girar capital e sustentar estoques sazonais. Para muitos, a perda não é apenas financeira: afeta fluxo de caixa, relações com fornecedores e a capacidade de planejar compras futuras. Enquanto alguns lojistas ainda mantêm vitrines com produtos da seleção até o fim da Copa, a expectativa é de vendas reduzidas e necessidade de medidas emergenciais para minimizar o rombo no caixa.

A derrota por 2 a 1 para a Noruega, que manteve um tabu histórico contra o Brasil, teve repercussão imediata nas ruas e nas bancas de Goiânia, transformando o que seria um período de alta rotatividade em um desafio logístico e financeiro para os feirantes. A combinação de estoques elevados, impossibilidade de devolução e incerteza sobre a aceitação futura das peças coloca a categoria em alerta, enquanto negociações com fornecedores e alternativas de comercialização no interior e em promoções se tornam as únicas saídas viáveis no curto prazo.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *